As coisas acontecem em nossas vidas e nós nuca estamos satisfeitos. Sempre que nos deparamos com algo de ruim, insistimos em culpar alguém. Ou é porque nossos pais não nos compreendem, ou nosso cônjuge não coopera, ainda pode ser porque nossos professores nos perseguem, nossos chefes são infinitamente chatos. Podemos também dizer que o diabo se levantou poderosamente contra nós na intenção de nos destruir na fé e na esperança, se levantou contra nós na tentativa de minar todas as nossas forças de construirmos uma vida embasada na vontade de Deus e no princípio cristão da salvação.
Não que estas coisas não aconteçam, podem sim ocorrer e a própria nos mostra muitas vezes essa questão do ataque inimigo e nem sempre o inimigo é o diabo. Quase sempre o inimigo está trabalhando em prol do diabo, mas nem sempre é o cramulhão propriamente dito que te ataca, como nos filmes de terror, onde o bicho-feio pula detrás do muro do cemitério com uma capa preta e dentes pingando sangue. O inimigo pode ser muito mais singelo do que isso, o inimigo pode ser bem mais bonito. Na verdade, o inimigo pode ser muito mais familiar de que podemos imaginar.
É necessário que percebamos que, mesmo sendo cristão, freqüentando a igreja, crendo em Deus, louvando ao Senhor, devolvendo o dízimo, orando e jejuando, colocando o joelho no chão e tudo mais que cremos que devemos fazer enquanto cristãos, ainda assim somos homens e homem é feito de carne e isso implica numa luta constante entre nossos desejos pecaminosos e nossa convicção religiosa cristã.
Quando nos sentimos minados e logo tratamos de culpar nossos inimigos, quase nunca olhamos no espelho à procura. Procuramos nosso inimigo nos outros, procuramos no diabo e procuramos no mundo, nas imagens, na tv, no rádio, nos jornais e revistas. Nunca encontramos nosso inimigo porque não o procuramos em nosso interior. Na maioria das vezes, nós mesmos somos “o inimigo”, porque vivemos a vida numa ambigüidade sem fim, como gatos em cima do muro, que nunca decidem em qual quintal pular e buscar segurança.
É muito improvável que um soldado consiga matar o inimigo que não vê, que não sabe onde está. Dificilmente um lutador vencerá seu oponente se estiver com os olhos fechados, isso é coisa de Daniel Sã, Karatê Kid. É preciso olhos aberto e foco no inimigo para uma boa luta, para uma boa batalha. É preciso conhecer seus pontos fracos para poder atingi-lo
A essência dessa mensagem é conhecer a si mesmo. Conhece-te e saberá a cara de seu inimigo, assim poderá conhecer seus pontos fracos e vencer essa batalha, atingi-lo em cheio e derruba-lo de uma vez. Determina teu alvo, encontra teu inimigo, prepara suas armas, luta sem medo e jamais será derrotado novamente. Lembre-se que se você encarar seu inimigo em nome do Senhor, Ele o ajudará, irá a sua frente na batalha e onde o Senhor conduz a peleja, essa é uma batalha ganha. Confia no Senhor, habita sob suas asas e Ele será a tua vitória contra todo inimigo.
O mundo está
Silvio Côrtes
Atualmente vivemos dias em que se prega a liberdade e a liberdade acima de todas as coisas, porém, é inegável que o homem continua vivendo a necessidade de acreditar em algo maior, numa força superior; e de fato o homem tem liberdade pra isso e o mundo livre está aberto a todo tipo de crença e filosofia. Eu nunca fui um cristão fundamentalista e sempre procurei compreender a fé de cada pessoa e ainda que continue vivendo o desejo de que todos possam encontrar o verdadeiro caminho para um espírito eterno, que jamais afirmei categoricamente ser eu detentor da receita, sempre me preocupei com certas filosofias pouco convencionais.
É fato que muitos de nós encontramos equilíbrio para a vida em filosofias que enxergam no homem o amuleto ou sustentáculo para o dia a dia; filosofias que acreditam no poder da mente como principal fator de fé e transformação do espírito, ou ainda uma fé politeísta, onde uma sacola de deuses é colocada diante de um altar e é só. Também sei que a fé, seja ela qual for, pode sustentar e transformar uma existência pelo simples fato da afirmação, da certeza, porém quero trazer à luz uma outra questão, a questão da salvação.
Assim como o cristianismo, o islã, o espiritismo e tantas outras expressões de fé acreditam na vida após a morte ou na vida eterna, mas sabemos que muitas dessas religiões esqueceram de um pequeno detalhe na construção dessa via de salvação. Esqueceram que essa via é de mão única.
Dias atrás eu conversava com um amigo que afirmou acreditar que toda fé leva a salvação, e mais ainda, que a salvação acontecerá de qualquer forma, independente de que viva o homem. Na verdade achei essa afirmação bastante estranha para alguém que foi criado dentro do cristianismo e conheceu uma verdade chamada Jesus, que é único elo entre nós e a eternidade.
É certo que temos muito que aprender com os adoradores de Allah, sobre fidelidade, sobre adoração e sobre dedicação. Nós evangélicos, temos ainda, o que aprender com os católicos sobre ser cristão por amor e não por pretensão. Enquanto os evangélicos vão à igreja porque querem cura, querem prosperidade financeira, “vitória” profissional, casa nova, saúde, ou até porque morrem de medo do diabo, os católicos estão toda semana na missa por prazer, porque se sentem felizes em estar lá e acreditam que estar lá é bom para a sua vida e agrada a Deus.
O ponto principal dessa reflexão é a estrada a ser percorrida até a salvação. Então numa afirmação contrária a que disse meu amigo em algumas linhas acima, eu lembro as palavras de Jesus que afirmava – “Eu Sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao pai senão por mim”. Também no ato da crucificação de Jesus, um dos ladrões que subiram com Ele para a morte disse – “Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino”. – e logo após Jesus disse a esse homem que estariam eles juntos no paraíso, ou seja, Jesus lhe prometeu a salvação e na verdade lhe deu a salvação naquele momento, já que Jesus falava na autoridade do Pai e a bíblia diz que em Deus não há mudança e nem sobra de arrependimento. Tudo isso me obriga a acreditar que sem Jesus não há salvação e não existe outro caminho senão Ele que é o caminho.
Seja fiel como um muçulmano e despretensioso como um católico, manso como um budista, mas nunca perca de vista o caminho que é Jesus.
Silvio Côrtes
Estão começando novos dias onde tudo parece normal e ao mesmo tempo, tudo tem um ar de estranheza. Nossos valores, ou se tornaram extremamente ultrapassados ou são tão modernos que chegam à beira da incompreensão. Poucos de nós vivem com plenitude de alegria, poucos de nós estão certos de que o caminho que está sendo percorrido é o correto. Pouquíssimos de nós tem a consciência da liberdade que é viver e quanto é grande o universo do pensamento livre. Nossa cultura é formada por acontecimentos, costumes e convenções, religiões, rituais e crenças e, na maioria das vezes, ela mesmo tem nos aprisionado. Aprisionamo-nos pela convenção moral, pelo fundamentalismo da religião e o medo contido subjetivamente na crença irracional. Onde está a liberdade que há milhares de anos foi ensinada no oriente médio por Jesus de Nazaré e Paulo, a liberdade que foi ensinada por Santo Agostinho e Lutero, a liberdade pela qual sempre lutaram os grandes pensadores, pessoas que a sua maneira, transformaram, senão o mundo, ao menos a comunidade à sua volta.
Estar livre de toda a culpa, não significa jogar no ralo toda a sua fé e devoção, mas poder “pensar” de forma livre e tomar com liberdade suas reflexões para serem aplicadas em sua vida. Pensar de forma livre é acreditar num Deus que dotou o homem da dádiva do raciocínio para que pudesse tomar decisões e estabelecer parâmetros de qualidade para a vida e o dia a dia, sem viver aprisionado pelo terror de um inferno póstumo onde não podemos saber se será mais sofrível do que a realidade das privações que muitos de nós vive no dia de hoje por não compreender que pensar com liberdade, é a maior forma de expressar a benção que Deus nos deu, que é o raciocinar, analisar, decidir, escolher. Um inferno é um lugar de tensão, de medo, de rancor, de inveja, onde é proibido pensar, onde se vive uma vida ditada por alguém que julga ter mais poder e mais importância que aquele que se submete. Um inferno é um lugar onde as almas são subjugadas, amedrontadas e espezinhadas, feridas. Algo muito parecido com nossas igrejas e religiões.
Ser livre e fazer o que quiser como dizia Agostinho ou conhecer a verdade e ser liberto por ela com prega a Bíblia Sagrada, nada mais é que analisar as circunstâncias, perceber as virtudes nas atitudes, o amor pelo que se faz, e reconhecer cada ato como algo pleno de alegria e algo não condenatório, porque pra cada um de nós que aprende a viver essa liberdade, já não são necessárias tantas ameaças e esse sem número de tentativas de apagar o pensamento, porque aqueles que já foram libertos conhecem quais são os caminhos por onde anda essa liberdade e já não existe interesse em retornar ao cativeiro.
Ser livre é pensar despretensiosamente, ser livre é amar e viver sem medo, ser livre é conhecer seus limites e ainda assim tentar superá-los, ser livre é caminhar sozinho a noite e ainda assim se divertir com a companhia das estrelas, ser livre é olhar para a imensidão do oceano e reconhecer que, em algum lugar existe um Deus, e que esse Deus te colocou onde você está, para que você pudesse pensar, e descobrir que a liberdade é que te torna pleno e faz de você alguém realmente feliz.
Silvio Côrtes
Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.
Jean Paul Sartre – Filósofo
Li, recentemente, uma reflexão do Sr. Rubem Alves, famoso teólogo, filósofo, pedagogo e psicanalista. Penso que este seja um texto que deveria ser leitura obrigatória para todas as pessoas. Rubem Alves conseguiu penetrar no âmago da questão da solidão e nos traz lições práticas sobre como podemos reverter esse estado em benefícios pra nós. Quero compartilhar com você algumas dessas lições que aprendi e que fazem muito sentido pra mim.
Estar sozinho aparentemente pode ser algo ruim. Sentimos-nos abandonados, vazios, carentes... Queremos sempre alguém que nos ouça, alguém que nos abrace, alguém que nos diga: Hey! Estou aqui com você. Mas ali, naquele momento a solidão nos ataca, o silêncio se torna nossa melhor canção. Surgem as lembranças, os monstros que habitam no porão da nossa alma saltam para fora e começam a nos torturar.
Quero trazer aqui três verdades que encontrei no texto citado e que têm me ajudado a entender o valor da solidão para o meu amadurecimento.
I – Nossa tristeza não vem da solidão, vem das fantasias que surgem na solidão.
Primeira coisa que vem à nossa mente quando pensamos na solidão é a tristeza. Geralmente fazemos essa associação. Pensamos: solidão não, ela gera tristeza, melancolia, depressão... Mas Rubem Alves nos alerta para a verdadeira causa da nossa tristeza: as fantasias.
Quando estamos sós, em vez de nos voltarmos para dentro de nós procurando nos conhecer, começamos a fantasiar. O seguinte pensamento invade nossa mente: Puxa! Eu estou aqui sozinho, quando todos os meus amigos estão lá se divertindo. Começamos a imaginar essa ilusória felicidade que os outros têm e a pensar em nós ali sozinhos. Isso gera tristeza.
Se realmente queremos aprender a trabalhar com fatores negativos de forma a torná-los positivos devemos deixar de lado as fantasias. Elas são ilusórias. São projeções da nossa mente que apenas nos deixam mais loucos.
II - Essa maldade (solidão) pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.
Já dizia Sartre: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.” Isso mesmo. A solidão pode ser o lugar onde plantaremos nosso jardim. É o momento onde temos encontro com aquilo que habita no porão da nossa alma. Aprendemos a nos compreender, a nos aceitar. Começamos a descobrir nossos tesouros que estão escondidos.
Temos que deixar de lado as fantasias e começar a vasculhar o que existe dentro de nós.
III - As coisas são os nomes que lhes damos.
Essa verdade me aquieta.
As coisas são os nomes que lhes damos. Isso significa que enquanto eu dizer que minha solidão é minha inimiga, ela o será. Mas a partir do momento que eu entender o valor e o quanto ela pode me ajudar a crescer, ela se tornará minha amiga.
Já dizia Drummond:
“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“
Aqui surge o momento de crucial.
Decida dizer a você mesmo: isso pode ser bom. Aprenda a ter momentos de solidões que te façam crescer. Aprenda a valorizar o tesouro que habita dentro de você e que só pode ser descoberto num encontro consigo mesmo. E se puder leia o texto de Rubem Alves. Tenho certeza que sua alma ficará aliviada.
Soli Deo Gloria.
Luiz Antonio.
Luiz Antonio, um dos idealizadores do Min. As Coisas Loucas do Mundo, canta uma de suas composições em parceria com o Silvião.
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